Seja como for já estava calçada, vestida, ainda que as calças goteassem a água da chuva que me havia ensopado até entrar em casa, por isso, despi o roupão, peguei na chave de casa e sai. Ainda pensei em deixar lá o telemóvel, sair só comigo mesma, mas já sabia que ia ter alguém histérico atrás de mim, a ligar para tudo quanto era sitio à minha procura e numa de evitar isso, lá levei aquele objecto preto que eu tanto amo…no final de contas também ele precisava de sentir a brisa fria que corria lá fora.
Fui assim meia perdida, sem destino e sem ideia do que ia fazer, mas não podia olhar mais para aquele monitor repleto de um azul de mar lindo, que me estava a ofuscar o espírito. E seguindo o exemplo dele, tirei a tarde para mim, só para mim.
Quando reparei, estava sentada na parte de trás de uma camioneta, onde se lia por fora «Porto». E que raio iria eu fazer para o Porto? Mas a verdade é que estava lá…
Do lado de fora a chuva tombava cada vez com mais intensidade e acabei por me perder em reflexões de uma qualquer coisa que me acalmou o espírito. Talvez tenha pensado na tarde de ontem…
Como que num solavanco a camioneta parou. Parecia que havia chegado ao meu destino. Sai. Imediatamente me dirigi para lá. Como se alguém me tivesse pegado na mão, aberto a porta e dito «entra». E eu entrei. Com uma leve esperança de te encontrar com uma daquelas chávenas brancas com uma lista azul, com café e um cinzeiro onde dormitasse um cigarro. Mas nada. Tive vontade de me sentar mas sai. Quase no fim daquela sala, permanecia em silêncio uma mulher de pele negra que parecia bastante concentrada em alguma coisa. Talvez na folha que tinha pousada no colo e onde de quando em vez encostava uma caneta. Mas não parecia muito inspirada. De qualquer maneira não perdi tempo a olhar.
A chuva cá fora era cada vez mais forte e também o som dos tacões que eu adoro bater no chão. Desci a tal rua de sta Catarina e apareceu me de repente a estação de S. Bento, bem em frente ao meu nariz. Repleta de gente…
Não sei bem quanto tempo lá estive mas a verdade é que passei metade da tarde naquelas ruas atoladas de pessoas e carros e lojas e vitrinas e prédios e…e nem sei bem que mais.
E por muito esquisito que me possa ter parecido senti-me realmente bem sozinha…completamente sozinha. Só com os meus pensamentos e momentaneamente parecia que até eles me queriam abandonar. Por vezes gostava que o fizessem. Mas não hoje. Hoje precisava deles bem juntinho a mim. Quando já não aguentava os pés naqueles pequenos objectos castanhos, fruto de mais uma das minhas aquisições fúteis, dirigi-me novamente aquele edifício branco, onde eu adoro passar umas horas com ele. E nada dele. Mas não ia com ideias de o encontrar. Ia simplesmente com vontade de um café, quente, e de uma música calma que me fizesse descansar por uns minutos. Entrei e encontrei a mesma menina de sempre, com a mesma cara de sempre, a mesma voz quase muda de sempre e a mesma simpatia que é habitual. Rapidamente lhe pedi um café. Para além do café trouxe-me também um cinzeiro. Esbocei um sorriso. Parece que somos clientes habituais. Mas a verdade é que eu não fumo. Mas hoje gostava de o ter feito. Faltava-me algo que acompanhasse aquele café, que por sinal estava bastante bom.
A tal mulher continuava lá. Sentei-me no mesmo sitio de sempre e ela olhava-me com bastante frequência. Ainda mantinha a mesma folha de papel e a mesma caneta na mão. A sua atenção oscilava entre mim e o texto que escrevia. Uau, se calhar é uma escrita meia famosa meia desconhecida e vou ser uma das personagens principais do seu livro. Confesso que era engraçado. Ainda estive lá uns bons minutos. Encostei-me numa daquelas cadeias fofinhas onde costumo sentar-me com ele, ou no seu colo, e mostrar-lhe um teste de psicologia, dar-lhe um abraço, contar uma daquelas histórias mirabolantes de quando éramos mais novos e relembrar velhos tempos. Ás vezes ele ainda perde tempo e explicar-me o sistema que o controla. Mas até nessas altura eu me sinto meia loira, porque nem sempre é fácil entender aquela cabecita maluca. Mas adoro aquele jeitinho de falar, aquele sorriso e aquela mão na minha cara, ou na minha perna, ou seja onde for. E é bom estar ali com ele, naqueles diálogos só nossos em que mais ninguém participa.
Quando me apercebi naquilo em que pensava rapidamente fiz um intervalo e acabei por não ter o que fazer ali e sai novamente. Desta vez definitivamente. Já nada me prendia ali a não ser o olhar atento da tal mulher que arriscaria dizer que, no caso de não ser escritora era lésbica…ou bi, porque ser bi agora está na moda…
E voltei a entrar na camioneta…
«Sabes como é que eu sei, que quando eu seguro a tua mão assim tu gostas? Porque me imagino a sentir o mesmo…»
Fui assim meia perdida, sem destino e sem ideia do que ia fazer, mas não podia olhar mais para aquele monitor repleto de um azul de mar lindo, que me estava a ofuscar o espírito. E seguindo o exemplo dele, tirei a tarde para mim, só para mim.
Quando reparei, estava sentada na parte de trás de uma camioneta, onde se lia por fora «Porto». E que raio iria eu fazer para o Porto? Mas a verdade é que estava lá…
Do lado de fora a chuva tombava cada vez com mais intensidade e acabei por me perder em reflexões de uma qualquer coisa que me acalmou o espírito. Talvez tenha pensado na tarde de ontem…
Como que num solavanco a camioneta parou. Parecia que havia chegado ao meu destino. Sai. Imediatamente me dirigi para lá. Como se alguém me tivesse pegado na mão, aberto a porta e dito «entra». E eu entrei. Com uma leve esperança de te encontrar com uma daquelas chávenas brancas com uma lista azul, com café e um cinzeiro onde dormitasse um cigarro. Mas nada. Tive vontade de me sentar mas sai. Quase no fim daquela sala, permanecia em silêncio uma mulher de pele negra que parecia bastante concentrada em alguma coisa. Talvez na folha que tinha pousada no colo e onde de quando em vez encostava uma caneta. Mas não parecia muito inspirada. De qualquer maneira não perdi tempo a olhar.
A chuva cá fora era cada vez mais forte e também o som dos tacões que eu adoro bater no chão. Desci a tal rua de sta Catarina e apareceu me de repente a estação de S. Bento, bem em frente ao meu nariz. Repleta de gente…
Não sei bem quanto tempo lá estive mas a verdade é que passei metade da tarde naquelas ruas atoladas de pessoas e carros e lojas e vitrinas e prédios e…e nem sei bem que mais.
E por muito esquisito que me possa ter parecido senti-me realmente bem sozinha…completamente sozinha. Só com os meus pensamentos e momentaneamente parecia que até eles me queriam abandonar. Por vezes gostava que o fizessem. Mas não hoje. Hoje precisava deles bem juntinho a mim. Quando já não aguentava os pés naqueles pequenos objectos castanhos, fruto de mais uma das minhas aquisições fúteis, dirigi-me novamente aquele edifício branco, onde eu adoro passar umas horas com ele. E nada dele. Mas não ia com ideias de o encontrar. Ia simplesmente com vontade de um café, quente, e de uma música calma que me fizesse descansar por uns minutos. Entrei e encontrei a mesma menina de sempre, com a mesma cara de sempre, a mesma voz quase muda de sempre e a mesma simpatia que é habitual. Rapidamente lhe pedi um café. Para além do café trouxe-me também um cinzeiro. Esbocei um sorriso. Parece que somos clientes habituais. Mas a verdade é que eu não fumo. Mas hoje gostava de o ter feito. Faltava-me algo que acompanhasse aquele café, que por sinal estava bastante bom.
A tal mulher continuava lá. Sentei-me no mesmo sitio de sempre e ela olhava-me com bastante frequência. Ainda mantinha a mesma folha de papel e a mesma caneta na mão. A sua atenção oscilava entre mim e o texto que escrevia. Uau, se calhar é uma escrita meia famosa meia desconhecida e vou ser uma das personagens principais do seu livro. Confesso que era engraçado. Ainda estive lá uns bons minutos. Encostei-me numa daquelas cadeias fofinhas onde costumo sentar-me com ele, ou no seu colo, e mostrar-lhe um teste de psicologia, dar-lhe um abraço, contar uma daquelas histórias mirabolantes de quando éramos mais novos e relembrar velhos tempos. Ás vezes ele ainda perde tempo e explicar-me o sistema que o controla. Mas até nessas altura eu me sinto meia loira, porque nem sempre é fácil entender aquela cabecita maluca. Mas adoro aquele jeitinho de falar, aquele sorriso e aquela mão na minha cara, ou na minha perna, ou seja onde for. E é bom estar ali com ele, naqueles diálogos só nossos em que mais ninguém participa.Quando me apercebi naquilo em que pensava rapidamente fiz um intervalo e acabei por não ter o que fazer ali e sai novamente. Desta vez definitivamente. Já nada me prendia ali a não ser o olhar atento da tal mulher que arriscaria dizer que, no caso de não ser escritora era lésbica…ou bi, porque ser bi agora está na moda…
E voltei a entrar na camioneta…
«Sabes como é que eu sei, que quando eu seguro a tua mão assim tu gostas? Porque me imagino a sentir o mesmo…»
*gosto-te*
1 comentário:
Gostei Mana. Tá bom e tá bem escrito. :)
"Ser bi está na moda" - Que disparate... Não sei onde, mas pronto... :/
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